Os 10 erros mais comuns na execução hidrossanitária


A execução correta das instalações hidrossanitárias é fundamental para o funcionamento da edificação e para a aprovação do Habite-se Sanitário. Em Aracruz, é comum a Vigilância Sanitária identificar irregularidades durante a vistoria final, exigindo a correção antes da emissão da aprovação.
Confira os erros mais frequentes:
1. Água Pluvial no esgoto sanitário
As águas de chuva não podem ser direcionadas para a rede de esgoto sanitário. O sistema pluvial deve possuir destinação própria, evitando sobrecarga na rede pública, retorno de esgoto e problemas ambientais.
2. Pia na caixa de inspeção
A tubulação da pia de cozinha deve passar obrigatoriamente pela caixa de gordura antes de seguir para a rede de esgoto. Ligar a pia diretamente na caixa de inspeção utilizada pelos banheiros ou pela área de serviço faz com que a gordura seja lançada na tubulação, aumentando significativamente o risco de obstruções.
3. Ligações na caixa de gordura
A caixa de gordura deve receber exclusivamente o esgoto proveniente da pia (ou pias) de cozinha. Não é permitido ligar tanque, máquina de lavar roupas, ralos, lavatórios ou qualquer outro equipamento, pois isso compromete o funcionamento da caixa e reduz sua eficiência na retenção de gorduras.
4. Pluvial no passeio público
As águas provenientes de telhados, calhas e áreas impermeáveis não devem ser lançadas diretamente sobre a calçada. Essa prática causa transtornos aos pedestres, acelera a deterioração do passeio e pode gerar situações de insegurança durante períodos chuvosos.
5. Tampa concretada
Quando existe caixa de inspeção no passeio, sua tampa deve permanecer acessível para inspeção e manutenção. Concretar a tampa impede futuras intervenções na rede e constitui uma irregularidade frequentemente apontada durante as vistorias.
6. Caixas concretadas
As caixas de inspeção instaladas dentro do imóvel devem permanecer sempre acessíveis. Cobrir ou concretar essas caixas impede limpezas, inspeções e desobstruções futuras, dificultando a manutenção do sistema de esgoto e podendo ocasionar problemas sanitários.
7. Falta de impermeabilização nas paredes da caixa de gordura e inspeção
As caixas de gordura e inspeção devem ser impermeabilizadas adequadamente durante a execução da obra. A ausência de impermeabilização faz com que, com o tempo, as paredes apresentem rachaduras e vazamentos, comprometendo a eficiência do sistema e gerando riscos sanitários. A impermeabilização garante maior durabilidade das caixas, evita infiltrações no solo, previne contaminações ambientais, reduz a necessidade de reparos frequentes e assegura que o sistema esteja em conformidade com as normas técnicas e exigências da Vigilância Sanitária.
8. Dreno do ar-condicionado
É comum que o dreno do ar-condicionado seja ligado incorretamente ao ralo do banheiro ou diretamente à caixa de inspeção do esgoto sanitário. Como a água proveniente da condensação não é esgoto, essa ligação é inadequada e pode comprometer o funcionamento do sistema sanitário. O correto é direcionar o dreno para uma caixa de areia, para o sistema de drenagem pluvial (quando previsto em projeto) ou para um local de infiltração, como jardim ou outra área permeável, permitindo o escoamento adequado da água, conforme o projeto e as normas técnicas aplicáveis.
9. Ausência de Ventilação na rede de esgoto
A rede de esgoto deve possuir tubulações de ventilação (colunas de ventilação) para permitir a saída de gases e equilibrar a pressão interna. A falta de ventilação pode causar mau cheiro dentro do imóvel, retorno de gases tóxicos e até o rompimento de sifões, comprometendo a salubridade do ambiente.
10. Ligações cruzadas entre esgoto e pluvial
Além da questão da água pluvial no esgoto, há também o problema inverso: quando tubulações de esgoto são ligadas indevidamente ao sistema pluvial. Isso resulta em lançamento de esgoto bruto em galerias de águas pluviais, contaminando o meio ambiente, cursos d’água e podendo gerar autuações severas por parte da Vigilância Sanitária e órgãos ambientais.
Atenção
Grande parte dessas irregularidades é identificada apenas durante a vistoria para emissão do Habite-se Sanitário, podendo resultar na necessidade de realização de adequações antes da emissão do documento ou, caso as pendências não sejam sanadas, na reprovação do processo.
Por curiosidade...
A Vigilância Sanitária de Aracruz passou a exigir, nos processos de aprovação de projetos hidrossanitários, a apresentação do Termo de Responsabilidade para Aprovação de Projeto Hidrossanitário, devidamente preenchido e assinado pelo proprietário e pelos responsáveis técnicos pela elaboração e execução do projeto. O documento reforça que o projeto e sua execução deverão atender ao Código Sanitário Municipal, ao Código de Obras e às normas técnicas da ABNT aplicáveis.
Essa nova exigência deve ser observada desde a abertura do processo, evitando exigências e atrasos na análise pela Vigilância Sanitária.



